Financiamento Habitacional

O financiamento habitacional quando foi instituído tinha uma grande função social, ou seja era a realização do sonho da casa própria para milhões de brasileiros e assim aconteceu durante muito. Hoje infelizmente essa função social já não existe mais pois quem compra um imóvel financiado, se for pobre, jamais vai conseguir saldar as prestações como imaginado no ato da aquisição. O pior de tudo isso é que na hora de assinar o contrato essas pessoas não são devidamente esclarecidas e acabam caindo em uma armadilha que vai destruindo de maneira muito cruel o sonho acalentado, muitas vezes, durante quase toda uma vida. O programa mudou mas muita gente não sabe e é iludida; entram no financiamento apartamento ou casa sem se dar conta em que estão entrando.

Muitas pessoas acreditam que quando compram o imóvel, o compram do banco e jamais se conformam com o fato de que em pouco tempo, o saldo devedor seja maior que o valor do bem adquirido através de crédito. Na realidade não é assim que acontece, o comprador toma dinheiro emprestado do banco para comprar a casa porém o agente financeiro não o faz ciente disso, omite a verdadeira situação. Com a atual situação da economia atualmente podemos dizer que quem faz um financiamento habitacional, se fizer no prazo de 25 anos, no final terá pago de 5 a 6 vezes o valor do imóvel que adquiriu. Muitos que tem uma situação financeira um pouquinho melhor acabam entrando na justiça porém mesmo assim o valor vai oscilar entre 2 a 3 vezes o valor real.

Com os critérios que temos hoje, o financiamento habitacional deixou de ser uma solução em termos de moradia, pelo menos no que se refere às pessoas de baixa renda, pois estas além do fato de que dificilmente irão conseguir manter o pagamento das prestações, devido aos aumentos sofridos, ainda não terão condições de brigar na justiça por seus direitos pois não terão como contratar um advogado para defendê-los. O melhor que teriam a fazer seria a formação de uma cooperativa para que pudessem construir suas próprias casas em regime de mutirão, sem precisar de financiamento habitacional para isso e portanto sem ser onerado com os juros altíssimos. Situações semelhantes acontecem ao se entrar em financimento de carros ou financiamento de motos sem conhecimento da financeira ou do contrato.

O antigo financiamento habitacional se fundamentava em três pontos básicos que faziam com que mantivesse o caráter social: o reajuste da prestação só acontecia quando e de acordo com o reajuste da categoria profissional do mutuário, a prestação jamais poderia os 30% de comprometimento da renda familiar e o item mais importante é que no fim do prazo contratado, o saldo devedor era quitado pelo Fundo de Compensação das Variações Salariais, FCVS. Entretanto em 1987 o governo passou a restringir esse fundo que em 1993 deixou de cobrir os novos contratos, terminando assim com o sonho de milhões de brasileiros. O mesmo pode acontecer nos financiamentos de projetos ou financiamento estudantil.